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Uma Noite Em Cinco Atos - 2ª Ed. 2011
Alberto Martins, poeta,
artista plástico e ensaísta, exercita-se desde sempre no difícil diálogo
entre a impulsão poética, arrebatadora, e a tomada de pulso da matéria,
gravitacional: navegação com expectativa de cais. Estreando aqui como
autor de peça teatral, suas personagens são três grandes poetas
brasileiros que encenam...
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Alberto Martins, poeta, artista plástico e ensaísta, exercita-se desde sempre no difícil diálogo entre
a impulsão poética, arrebatadora, e a tomada de pulso da matéria, gravitacional: navegação com expectativa de cais. Estreando aqui como autor de peça
teatral, suas personagens são três grandes poetas brasileiros que encenam, num palco a um tempo íntimo e aberto, uma ampla interrogação sobre a
poesia, a cidade de São Paulo, a vida moderna.
Épocas distintas se verticalizam no presente do nosso século, tornado comum a Álvares de
Azevedo (1831-1852), Mário de Andrade (1893-1945) e José Paulo Paes (1926-1998). Contemporâneos todos, quebremos também as paredes dos sonhos e
reconheçamos as "tarefas inconclusas" que sempre couberam aos poetas, sobretudo os que fazem crer que a mais alta beleza é indício de ainda mais
altas necessidades. Sim, a perspectiva do autor é romântica: o lirismo machucado e reflexivo, os jogos do humor e a acidez da paródia são recursos
que, em vez de minarem, acentuam a necessidade de ouvir poetas conversando entre si, unidos não pela morte, mas pela vida nova de um espaço/tempo em
que Zé Paulo pode dizer a Álvares: "aqui você é que é novo e eu sou o velho". Um desafio para ambos (e também para Mário de Andrade, que ao diálogo
entre eles vem juntar a companhia de um pesado e misterioso silêncio) é compreender São Paulo, a quarta personagem, cujos espaços se abrem tanto aos
dejetos industriais como à mais sofisticada instrumentação tecnológica. Mas a questão de fundo é ponderar a poesia.
"Será um exagero dizer que falo em nome de muitos?" — pergunta Zé Paulo ao poeta adolescente.
De fato, o que cabe à poesia em tempos de
lirismo acuado nas trincheiras? "Trincheiras são muito parecidas com covas", amarga Álvares de Azevedo, ao que Zé Paulo rebaterá:
"A sua tarefa ficou inconclusa", acrescentando que também a de Mário de Andrade não se concluiu. Esta peça quer alargar tal questão, não para
"concluir a tarefa", obviamente, mas para avivá-la dentro de nós. É preciso escavar "alguma dor não contaminada", continua Zé Paulo. Que é uma dor
não contaminada senão o ganho de um novo impulso poético, sem os vícios do maneirismo estético ou da deformação ideológica? É aqui que entra o poeta
Alberto Martins, arriscando, "buscando a dose certa" (fala de Zé Paulo) para uma química entre limites e aspirações.
Seus três
personagens dão corpo à Poesia mesma, cuja ressurreição não se opera sem corrosão irônica no território de uma paulicéia exuberante e degradada - por
isso mesmo tão incitantemente poética. Dentro dessa noite paulistana, a um tempo geográfica e cósmica, as personagens não são fantasmagorias: dão
corpo às tensões agudas que entrelaçam sentimento e história, corpo e imaginação. A certa altura Álvares de Azevedo diz a Zé Paulo que desconfia não
estar preparado para ouvir a "sinfonia do século" (representada num turbilhão de ruídos urbanos em altíssimo volume).
E nós, estamos?
Para interrogar o curso da modernidade em perspectiva lírica, bem como para aferir o sentido do poético no tempo atual, Alberto Martins faz caminhar
três poetas queridos seus, numa cidade afetivamente sua, enfrentando questões que não são apenas suas.
I.S.B.N.: 9788573264289
Cód. Barras: 9788573264289
Reduzido: 2849264
Altura: 21 cm.
Largura: 12 cm.
Profundidade: 1 cm.
Acabamento : Brochura
Edição : 2 / 2011
Idioma : Português
País de Origem : Brasil
Número de Paginas : 112
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