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Inimigo do Rei
O jornalista Lira Neto apresenta um José de Alencar irrequieto e polemista, envolvido até a alma com a invenção de uma literatura brasileira e com as
lutas políticas do Império. O homem público contraditório e incansável na defesa de suas idéias e o escritor polêmico que foi José de Alencar (1829-
1877) são aqui reconstituídos em detalhes, numa reconstrução primorosa.
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O jornalista Lira Neto apresenta um José de Alencar irrequieto e polemista, envolvido até a alma com a invenção de uma literatura brasileira e com as
lutas políticas do Império. "O Inimigo do Rei: uma biografia de José de Alencar", do jornalista e escritor Lira Neto, tem um outro subtítulo
esclarecedor sobre o biografado: ''A mirabolante aventura de um romancista que colecionava desafetos, azucrinava D. Pedro II e acabou inventando o
Brasil''. Com efeito, o homem público contraditório e incansável na defesa de suas idéias e o escritor polêmico que foi José de Alencar (1829-1877)
são aqui reconstituídos em
> detalhes, reatualizando as grandes polêmicas literárias e políticas em que se envolveu, ou revelando-nos facetas novas, através da pesquisa a
documentos pouco ou nunca trabalhados pela crítica literária e pela historiografia. E um dos grandes méritos do livro é realizar com sucesso as
várias articulações entre as ações políticas e a carreira literária de Alencar, considerando com cuidado as próprias apostas e dubiedades do
biografado em ambos os terrenos em que atuou.
Lira Neto efetuou uma pesquisa detalhada, que incluiu a consulta a dezenas de jornais raros e documentos. Como exemplo, analisou atentamente os
primeiros folhetins de Alencar, que nunca entraram na compilação de suas obras completas e nem mesmo na reedição de suas crônicas. São textos de
formação, fundamentais para se compreender alguns dos rumos que o escritor posteriormente seguiria. Consultou também os Anais da Câmara dos
Deputados, reconstituindo em detalhes as inúmeras contendas políticas de Alencar, que ocupou diversos cargos públicos durante sua vida. E através da
vida de Alencar, apresenta ao leitor o Brasil oitocentista - particularmente o da Corte, onde o escritor viveu a maior parte da vida - com sua
escravidão, suas lutas intestinas e guerras. O José de Alencar que encontramos aqui é muito distante daquele que
conhecemos nas aulas de literatura do Brasil. Panfletário cruel, polemista incansável, implacável e sardônico com seus opositores, também era homem
pouco afeito ao convívio social, um misantropo que soube manter sua privacidade. No terreno literário, não apenas ousou, ainda jovem, atacar
Gonçalves de Magalhães, o poeta protegido de d. Pedro II, como igualmente chocou sua época com temas até então interditos, sendo atacado como escritor
obsceno e imoral. No teatro também deixou sua marca, principalmente com comédias ridicularizadoras de costumes e personagens da época. Mas foi mais
longe ainda. Propôs a si mesmo a tarefa da invenção da literatura brasileira, atacando os problemas da temática e da linguagem.
Dessa perspectiva, sua herança está viva, ainda que interpretada de formas variadas, tanto pelo movimento modernista quanto por tendências mais
recentes da idéia de uma literatura brasileira. Na política também foi um homem marcante. A melhor expressão disso é sua oposição constante a d.
Pedro II. Não perdeu oportunidades, ao longo de toda a sua carreira política, de ridicularizar o imperador, como rei ou como "filósofo", de se opor a
seus atos e declarações, tanto em panfletos
ou artigos jornalísticos quanto na tribuna. Um exemplo contundente é a posição de Alencar sobre a Guerra do Paraguai (1864-1870), que condenou com
veemência e lucidez. O título, portanto, é sintético, pois a inimizade ao rei foi sua batalha mais longa. Político contraditório, trocou o partido
liberal pelo conservador, praticou atos que antes condenava e foi
escravista até o fim, numa reunião quase explosiva de ingredientes, se não forem bem cuidadosamente misturados - o que Alencar conseguiu com sucesso,
mesmo que ao preço de muitas derrotas.
A pesquisa incluiu, ainda, a consulta a uma rica iconografia, especialmente caricaturas e charges de época, que constam do volume, o que permite ao
leitor visualizar a atmosfera da imprensa da época.
I.S.B.N.: 8525041165
Cód. Barras: 9788525041166
Reduzido: 202010
Altura: 20,8 cm.
Largura: 13,7 cm.
Edição : 1 / 2006
Idioma : Português
País de Origem : Brasil
Número de Paginas : 432
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