Mário Peixoto, o mítico cineasta de Limite (1931), possui uma obra literária que permanece pouco conhecida, apesar de sua altíssima qualidade. Filme,
romances e poemas, com rara intensidade lírica, recusam amarras formais e revelam as diferentes faces de um estilo extremamente singular. Ao longo de
três décadas, entre 1933 e 1968, foram escritos estes Poemas de permeio com o mar, que vêm a público tardiamente, mas em tempo de permitir que sejam
percorridas regiões intocadas. As imagens sublimes de Limite, com seus reflexos em mar aberto, são as mesmas que estruturam os poemas. Por dentro de
paisagens vivas e em movimento, os versos traçam desenhos improváveis, como em O poema de mar cinzento: ´O meu mar,/ é um mar sem cor, e sem praia, /
que eu não fixei direito, ainda, / com pena de perder a minha vida e o meu olhar...´. As imagens se refazem a cada instante, uma realidade invisível
parece constituí-las. Um novo aprendizado do olhar, uma inesperada lógica poética. Mário Peixoto parece estar próximo de algumas imagens e movimentos
que encontramos nos poemas de Georg Trakl, ou em certas paisagens de Walt Whitman, ou ainda no tom mítico, fortemente marcado por arquétipos, dos
poemas de Jorge de Lima. Os versos escritos em silêncio ao longo de três décadas revelam uma delicada precisão de cores, timbres e matizes que nos
arrebatam e transformam, como se sempre tivessem feito parte de nossas paisagens e abismos interiores. Vida e poesia são indissociáveis, Mário
Peixoto nos ensina.
I.S.B.N.: 8586579297
Cód. Barras: 9788586579295
Reduzido: 100614
Altura: 18 cm.
Largura: 12,09 cm.
Profundidade: 1,07 cm.
Acabamento : Brochura
Consumível : NÃO
Edição : 1 / 2002
Idioma : Português
País de Origem : Brasil
Número de Paginas : 270