Os Caminhos do Sertão de João Guimarães Rosa Os Caminhos do Sertão de João Guimarães Rosa
Os Caminhos do Sertão de João Guimarães Rosa

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Editar João Guimarães Rosa é um privilégio raro, como bem sabem todos os que se dedicam aos livros — de autores e editores às pessoas que divulgam, distribuem, comercializam, vendem e leem as obras desse autor. É um grande privilégio tomado por surpresas, contentamentos e desafios, como o sertão descoberto (e, por favor, atentem para a palavra) por Guimarães Rosa.

Autor de léxico próprio e um dos brasileiros mais editados e estudados fora do seu país, João Guimarães Rosa chegou a ser cogitado para concorrer ao Prêmio Nobel de Literatura no ano de sua morte. Sua obra indiscutivelmente sem precedentes em nosso contexto literário conjuga, na justa medida, o local e o universal, o olhar do médico e diplomata que afirmou que o bom mesmo era ser como o vaqueiro Manoel Nardy, o Manuelzão das suas estórias.

Difícil é, portanto, falar do autor e da sua obra com o desprendimento que ele próprio destinou a ela, já que não se embrenhou pelo sertão à procura da literatura. Suas viagens sempre visaram ao encontro do homem, dos problemas e questões inerentes à condição humana. Decidimos, então, nesta edição exclusiva que lança o inédito A boiada deixar, mais que nunca, que o autor dê a primeira palavra. Não antecipamos o texto das cadernetas, organizado e editado pelo próprio Guimarães Rosa, com nenhum grande estudo. Ele vem em estado puro, com as marcas do tempo ao lado das marcas do autor, suas anotações marginais e rasuras, suas ob-sessivas pesquisas — um canteiro de obras a partir do qual se erigiram verdadeiros monumentos literários.

Ao final da reprodução em fac-símile de A boiada 1 e A boiada 2, contamos com a beleza e pertinência dos textos de duas estudiosas da obra do autor mineiro, as professoras Sandra Vasconcelos e Mônica Meyer, que situam historicamente o contexto dessa viagem em que as cadernetas foram escritas e analisam seu conteúdo com a agudeza de quem conhece a fundo a obra completa do autor, sua biografia, seus estudos e o arquivo com seus inéditos. Encerrando o volume, trazemos a reportagem “Com o vaqueiro Guimarães Rosa — um escritor entre seus personagens”, feita na chegada dessa travessia pelo sertão mineiro e publicada pela revista O Cruzeiro, dois meses depois, com fotos dos vaqueiros, da boiada e de Guimarães Rosa, o “vaqueiro-amador”, como ele próprio se definiu.

O percurso pelos caminhos do sertão de João Guimarães Rosa não poderia deixar de incluir a obra mais conhecida do autor, pois em sua escrita se percebe, em cada página, a experiência registrada n’A boiada. Essa vigésima edição do Grande sertão: veredas vem ainda acompanhada de outro percurso: o de sua publicação internacional, materializado em capas de diversos países, tais como Itália, Alemanha, França, Holanda, Dinamarca, Espanha, Noruega, Argentina, entre outros.

Nos dois títulos do autor seguimos a sentença “mire e veja” e convidamos o leitor a fazer o mesmo. “Mire e veja”, sempre que possível em boa companhia. Para tanto, apresentamos, em separata, uma travessia pela crítica que, desenraizada do papel e enraizada nas memórias, ganhou corpo nos Pignatari e Haroldo de Campos, gravados para o documentário Os nomes do Rosa, produzido por Tereza Gonzalez e Vânia Catani, com roteiro de Ana Luiza Martins Costa, Claufe Rodrigues e Pedro Bial, e direção geral de Pedro Bial. Outros depoimentos se juntaram a esses primeiros quando Bia Lessa concebeu uma instalação sobre o Grande sertão: veredas para a inauguração do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, e convocou o arquiteto Paulo Mendes da Rocha e o escritor Sérgio Sant’Anna para compor o diálogo com essa obra monumental. A todos esses famosos espectadores (miradores) do autor e de seus textos o nosso agradecimento emocionado (estendido aos titulares dos direitos das obras de alguns dos nossos depoentes).

Todo o nosso trabalho foi luxuosamente acompanhado pelas ilustrações de Paulo Mendes da Rocha, que adornou e acolheu esse projeto com seu traçado limpo e contundente como as paisagens do sertão rosiano. Desconfiamos que se Paulo Mendes da Rocha tivesse nascido em Cordisburgo, provavelmente teria saído pelo sertão, a fim de acolher uns tantos caminhos e veredas em sua arquitetura.

A importância de encontrar o leitor é o que nos move em busca de renovados caminhos. Nessa comunhão de propósitos e ideais, a Editora Nova Fronteira teve a honra de desenvolver essa edição exclusiva e limitada com a Livraria Saraiva, que tem somado ao seu crescimento pelo Brasil o objetivo de apresentar grandes obras a preços acessíveis.

Editora Nova Fronteira